Wednesday, May 23, 2007

Porque por vezes naufragamos - VI



A rota seria prolongada. São demorados todos os caminhos que nos conduzem à consumação dos desejos mais íntimos. (…)

A treva impenetrável cingia tão estreitamente o barco que tínhamos a sensação de que se estendêssemos a mão para fora da borda, tocaríamos uma substância de outro mundo. (…)

Quando a ocasião própria chegasse, as trevas dominariam em silêncio a pouca luz das estrelas que caía ainda sobre o barco e o fim de tudo viria sem um suspiro sequer, sem um movimento, sem murmúrio algum, e todos os nossos corações deixariam de pulsar, como relógios a que a corda se acabasse. (…)







Joseph Conrad, A Linha de Sombra, 1917