Monday, August 20, 2007

SÃO JORGE, COSTA NORTE

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fOTO: http://supertatas.blogspot.com/2006/08/aores-s_25.html


Desço com o vento a Ribeira dos Vimes, levo pássaros nos ombros e escuto a voz da água da Caldeira. Esmeralda, o ar da manhã...



A terra treme: é o vulcão oculto da ilha, a boca de rir tremendo, o registo nos ramos altos das árvores livres... Tremer sem medo é uma linguagem da ilha, a febre profunda de chegar às raízes das pessoas...


É Verão quando não chove e o vento sopra do sul. E se chover é o mesmo...


O basalto é azul até onde o mar chega... A costa norte rebenta de silêncio e o João, a golpes de enxada, põe ao sol o corpo submerso dos inhames.


As crianças da Fajã sorriem para o sol-total desta manhã norte de São Jorge: este é o poema!


Fecho os olhos e com as mãos procuro em carícia a erva no solo e levo-a à boca como um animal civilizado que lhe agradece a beleza e o aroma magnífico deste céu terreno.


João acena-me com os braços erguidos, chama-me com o seus gestos de pescador e camponês: gestos que trazem raízes e ondas, a bondade universal da ilha e do mundo!


Não é o que sinto e canto que faz o Poema! O poema é a Ilha e a sua gente; o resto do que digo não passa duma manhã de esmeralda com um homem dizendo “bom dia” nos gestos de trabalhador!




Carlos Faria, S. Jorge

1 comment:

jose augusto soares said...

Verde da terra.
Azul do mar.

Ímpares!