Thursday, May 31, 2007

Sul - Eugénio de Andrade

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Foto: Ricado da Costa in http://www.olhares.com/touchdelight
(hoje acordei a s-o-l-e-t-r-a-r este poema:)
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Era Verão, havia o muro.
Na praça, a única evidência
eram os pombos, o ardor
da cal. De repente
o silêncio sacudiu as crinas,
correu para o mar.
Pensei: devíamos morrer assim.
Assim: explodir no ar.
Eugénio de Andrade

1 comment:

jose augusto soares said...

Ainda gosto mais destas palavras do mesmo autor:

"Música, levai-me:

Onde estão as barcas?
Onde são as ilhas?"