Tuesday, May 29, 2007

Fábula da ilha - Álamo Oliveira

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Mapa dos Açores desenhado por Luís Teixeira, cosmógrafo real (1584).



um bando de gaivotas em liturgia de abandono
orienta marinheiros de ignorância e cachimbo


(o barco da cruz gramada; os pés da bússula ruindo;

a mosca henriquina emigrada em sono).


na baía incendiada o grito do sossego partilha

âncoras de fundo e fumo com peixes e hortelã.


não era indício de oiro nem esfinge de sereia nem

vagabundo do sonho num deserto de cetim. era ilha!



(nas suas entranhas com vómitos de lava

setia-se crescer a lascívia do povoamento).

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ainda hoje se ouve a angústia do vento
percorrer as coordenadas do povo no mapa.


Álamo Oliveira in Fábulas, 1974

2 comments:

jose augusto soares said...

Belo poema!
Obrigado.

geocrusoe said...

Obrigado por ter deixado o seu comentário no meu blog, que procurda dar a conhecer a cultura incorpórea e construída, bem como o património geológico da ilha do Faial, em especial, e dos Açores, em geral. Mas sempre que haja um tema que goste de ver tratado neste âmbito, pode ser deixar a sua sugestão e tentarei, quando possível, obter informação sobre o assunto e discutir se conveniente... para isto existem estes blogs.