Monday, May 21, 2007

da vida na "ilha"




- Estamos numa ilha. Talvez até não haja aqui gente crescida. (…)


- Ninguém sabe que estamos aqui. (…) Temos de ficar aqui até morrer. (…)


William Golding, O Deus das Moscas



Augusto, embora permanecendo um homem, era obrigado a tornar-se em algo mais: tinha de assumir os poderes de um ser excepcional dotado de um excepcional talento. Tinha de fazer rir as pessoas. (…)
Mais altas, porém, eram as suas ambições – queria dotar os espectadores de uma alegria que se revelasse imperecível. Foi esta obsessão que primeiramente o levou a sentar-se aos pés da escada e simular o êxtase. (…)


Quanto maior era o sucesso desta pequena paródia aos pés da escada, tanto mais sorumbático Augusto se tornava. (…)
Certa noite transformou-se subitamente em mofas e assobios (…). Augusto esquecera-se de «regressar». (…)
Rompido abruptamente o contrato, resolveu fugir daquele seu mundo conhecido. (…)


E então, certo dia, como que numa revelação luminosa apercebeu-se de que já há muito, muito tempo, não conhecia a felicidade. (…)


Tinha começado a viver somente a partir do dia em que se juntara ao grupo, desde o exacto momento em que decidira servir como o mais humilde dos humildes. Aquela vida secreta evaporara-se quase sem ele dar por isso – voltara a ser um homem como os outros, fazendo as mesmas coisas absurdas, insignificantes, necessárias, que os outros faziam – e assim conhecera a felicidade, a plenitude dos dias. (…)



Sermos nós próprios, unicamente nós próprios, é algo de extraordinário. Mas como chegar a isso, como alcançá-lo? Ah!, eis o truque mais difícil de todos. Difícil, exactamente, porque não envolve esforço. (…)



Henry Miller, O Sorriso aos Pés da Escada



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