Sunday, September 23, 2012


a vida como uma Viagem em que se vive, se morre e se renasce a cada dia.
a vida como uma Viagem de silêncios e de sinais. escritos em cada gesto e em cada palavra numa esperança renovada. para além do tempo. para além de todos nós.




Fábrica Braço de Prata - Lisboa - 2012.06.16 


Faial - Açores - 2012.08.25



Hotel Moliceiro - Aveiro - 2012.09.22

Thursday, June 10, 2010

a um querido amigo que foi de viagem...

 por Álvaro de Campos

Estou cansado da inteligência.
Pensar faz mal às emoções.
Uma grande reacção aparece.
Chora-se de repente, e todas as tias mortas fazem chá de novo
Na casa antiga da quinta velha.
Pára, meu coração!
Sossega, minha esperança fictícia!
Quem me dera nunca ter sido senão o menino que fui…
Meu sono bom porque tinha simplesmente sono e não ideias que esquecer!
Meu horizonte de quintal e praia!
Meu fim antes do princípio! 


Estou cansado da inteligência.
Se ao menos com ela se apercebesse qualquer coisa!
Mas só percebo um cansaço no fundo, como baixam na taça
Aquelas coisas que o vinho tem e amodorram o vinho.

Sunday, May 02, 2010

O Papalagui - dicursos de Tuiavii de Tiavéa, nos mares do Sul - I

"O «Papalagui» - ou seja o Branco, o Senhor - é este o nome dado aos discursos do chefe de tribo Tuiavii de Tiavéa, nos mares do Sul. (...) Os leitores particularmente fanáticos da nossa civilização irão decerto achar a sua maneira de ver ingénua, e até mesmo pueril, ou parva; no entanto, mais do que uma frase de Tuiavii deixará pensativo o leitor mais modesto, pois a sabedoria de Tuiavii não emana de um saber erudito, mas é mais uma inocência de fonte divina."
"(...) Tuiavii sentiu desejo de conhecer a longínqua Europa (....) e juntando-se a um grupo visitou, um após o outro, todos os países europeus..."
"Através dos seus olhos descobrimos a nossa imagem, e isso com uma simplicidade que já perdemos."
Discursos recolhidos e tradizudos por Erich Scheurmann

pequenos excertos:

De como o Papalagui cobre as carnes com inúmeros panos e esteiras

O Papalagui esforça-se o mais possível por enconbrir as suas carnes. (...) Tudo quando se refere à carne é pecado. Assim fala o Papalagui. (...) Até mesmo aquelas partes com que se fazem os filhos, para maior alegria da vasta terra, são pecado. (...)
É por essa razão que o corpo do Papalagui está, da cabeça aos pés, coberto de tecidos, pêlos e panos tão cingidos e grossos que jamais olhar humano ou raio de sol poderá atravessá-los (...).
Como o corpo das mulheres e das raparigas anda sempre tapado, os homens e os adolescentes ardem em desejo de ver as suas carnes: o que é muito natural. Pensam nisso noite e dia e falam muito das formas do corpo das mulheres e das raparigas, e sempre como se o belo e natural fosse um grande pecado e só pudesse ser apreciado nos sítios mais escuros. (...) Poderá haver mais estúpido pensar? (...)

Das arcas de pedra, das gretas de pedra, das ilhas de pedra e do que entre elas há

O Papalagui mora, como o mexilhão do mar, dentro duma conha dura. Vive entre pedras, como a escolopendra entre fendas da lava. Tem pedras a toda a volta, de lado e por cima. A sua cabana assemelha-se a um baú de pedra posto ao alto; um baú cheio de cubículos e de buracos. (...)
É quse incompreensível que um homem não morra em tal sítio, que o desejo de sair dali o não transforme em pássaro, que lhe não cresçam asas para poder tomar impulso e levantar voo (...).
O Papalagui é um indivíduo de um bom senso algo singular. Faz imensas coisas sem sentido que o põem doente, e apesar disso gaba-se e vangloria-se delas."

Do metal redondo e do papel forte

"A grande divindade do homem branco é o metal redondo e o papel forte a que ele chama dinheiro. Todos os homens brancos pensam nisso, até mesmo a dormir. Quase todos eles sacrificam a saúde ao metal redondo.
Pensam nisso todos os dias, a toda a hora, a todo o instante. Todos, todos eles o fazem! (...)
Descobri uma única coisa pela qual se não pede dinheiro na Europa, coisa que cada um pode fazer as vezes que quiser: respirar o ar."
Sem dinheiro, tu és, na Europa, um homem sem cabeça e sem membros; não és nada.(...)"

Sunday, March 07, 2010

palavras de Francisco Pérez de Antón

... não, eu não praguejei, nem usei palavras menos próprias, que o comportamente imposto assim o exigia, mas... nem foi preciso, outros o disseram de forma bem clara:

"Um rebanho, como se sabe, é composto por gente sem voz própria e de esfíncter mais ou menos débil. É um facto comprovado, aliás, que, em tempos de confusão, o rebanho prefere a servidão à desordem. Daí que aqueles que agem como cabras não tenham líderes mas sim cabrões. E alguma coisa se nos deve ter pegado dessa espécie quando no humano rebanho é tão comum esse dirigente capaz de conduzir as massas até à beira do recife e, uma vez ali, fazê-las saltar para a água. Isso se não lhe ocorrer assolar uma civilização, que é uma coisa também bastante frequente".


Salvem o Planeta!

São terramotos, cheias, enxurradas e derrocadas, incêncios e calores nunca vistos, frios polares nunca sentidos (este ano voltou a nevar nos Açores!) que o Homem, nem que seja à força, terá de acordar para as evidências. O clima do planeta está a mudar rapidamente, mudará mais nos próximos 10 anos do que nos últimos 30 (contas pessoais). 
Imagino, numa viagem hipotética, que se outros seres nos pudessem observar ao longe, e tivessem acompanhado a nossa evolução, da qual fizeram parte duas Guerras Mundiais, bombas atómicas, ida à Lua,  explorações planetárias, fomes e doenças continuadas e outras geradas, poluições de rios mares e ares, que teriam de concluir forçosamente que os Homens devem estar loucos!

Happy Day Earth, By Tab, The Calgary Sun

Sunday, February 28, 2010

artigo de Paulo Varela Gomes

Morrer como um touro

O Ministério da Cultura resolveu criar uma secção de tauromaquia no Conselho Nacional de Cultura a pretexto de que lidar touros seria uma tradição cultural portuguesa a preservar. Mas a tradição é mais antiga, do tempo em que humanos e animais lutavam na arena para excitar os nervos da multidão com o sangue e a morte anunciada. A piedade, que é um valor mais antigo do que Cristo, veio, na sua interpretação cristã, salvar disto os humanos. Esqueceu-se, porém, dos animais.
Há um momento nas touradas em que o touro, muito ferido já pelas bandarilhas, o sangue a escorrer, cansado pelos cavalos e as capas, titubeia e parece ir desistir. Afasta-se para as tábuas. Cheira o céu. Vêm os homens e incitam-no. A multidão agita-se e delira com o sangue. O touro sabe que vai morrer. Só os imbecis podem pensar que os animais não sabem. Os empregados dos matadouros, profissionais da sensibilidade embaciada, conhecem o momento em que os animais “cheiram” a morte iminente. Por desespero, coragem ou raiva (não é o mesmo?), o touro arremete pela última vez. Em Espanha morre. Aqui, neste país de maricas, é levado lá para fora para, como é que se diz? ah sim: ser abatido. A multidão retira-se humanamente, portuguesmente, de barriga cheia de cultura portuguesa, na tradição milenar à qual nenhuma piedade chegou.
Os toureiros têm pose que se fartam (e com a qual fartam toda a gente). Pose de *hombre*, pose de macho. Mas os riscos que de facto correm são infinitamente menores que a sorte que inevitavelmente espera os touros, que o sofrimento e a desorientação que infligem aos touros para o seu próprio prazer e o da multidão. Dá vontade de dizer que quem se porta assim, quem mostra orgulho de se portar assim, tem entre as pernas, e não apenas literalmente, órgãos bem mais pequenos que aqueles que os touros exibem. Os toureiros são corajosos mas entram na arena sabendo que haverá sempre quem os safe, senão à primeira colhida, então à segunda. Às vezes aleijam-se a sério e às vezes morrem, o que talvez prove que os deuses da Antiguidade são justos, vingativos e amigos de todos os animais por igual. Os touros, esses, não têm ninguém que os vá safar em situação de risco, estão absolutamente sós perante a morte. Querem os toureiros ser *hombres* até ao fim?
Experimentem ser tão homens como eram os homens e os animais na Antiguidade: se ficarem no chão, fiquem no chão. Morram na arena. É cultura. A senhora ministra da Cultura certamente compensará tão antigo costume.
Também era da tradição, em Portugal por exemplo, executar em público os condenados, bater nas mulheres, escravizar pessoas. Foi assim durante milénios. Ninguém via mal nenhum nisso a não ser, confusamente, com dúvidas, as próprias vítimas. Até que a piedade, na sua interpretação moderna e laica, acabou com tão veneráveis tradições.
Que será preciso para acabar com a tradição da tourada? Que sobressalto do coração será necessário para despertar em nós a piedade pelos animais?

Paulo Varela Gomes (Historiador), “Cartas do Interior”, Público, 27.02.2010, P2, p.3.


Tuesday, January 26, 2010

Teoria Ocidental da Relatividade:

Pequeno desenho enviado por um médico do SGM (Sindicato da Medicina Geral em França) para ilustrar os comentários de certos...:
90 pessoas apanham gripe H1N1 e todo o Mundo tem de ter uma máscara.   
5 Milhões de pessoas têm SIDA e ninguém tem de de ter preservativo!!
1000 pessoas morrerem de gripe A num País rico é uma pandemia e
milhões a morrerem de paludismo em África é problema deles...

Saturday, January 09, 2010

artigo retirado do blog http://psicopataxx.blogspot.com

Carnívoros - A teoria da psicopatia na sociedade


"As pessoas psicopatas têm condutas criminais sem nenhum sentimento de culpa, mantendo plena consciência dos seus crimes ou das suas intenções criminais."
Fonte: wikipedia




A Teoria
A sociedade classifica de psicopatas todos aqueles que comentem assassinatos a sangue frio e/ou por prazer. É uma espécie de doença, uma neurose.
Se você parar pra pensar, num contexto mais amplo, logo então verá que a maior parte da sociedade sofre de psicopatia.
A omissão, a apatia e o financiamento mesmo que indiretos torna-se qualquer um num cumplice em um crime, você se torna responsável indireto ou até mesmo direto dependendo da sua relação com os envolvidos.
A maior parte das pessoas não sabem ou não querem saber que suas atitudes tem consequencias, ou por ignorância ou por omissão mesmo.
Um exemplo da psicopatia da população, talvez o maior deles é o consumo de carne. Muitas pessoas parecem achar que o bife de seu prato surgiu por mágica ou num pé de carne que cresce num açougue, só pode ser isso, porque nada justifica o seu consumo visto o preço de vidas que se paga.
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Para se obter toneladas de quilos de carne é necessário o sofrimento e o sacríficio de milhões de seres inocentes e pacíficos, é necessário derramar muito sangue, muita dor pra você encher sua pança gorda e sedentária, ou você acha que os animais querem viver presos e mal tratados e morrem felizes para satisfazer sua gula. O consumidor é responsável direto por essas mortes, mesmo não sujando as mãos de vermelho, é você que financia, você é quem paga o assassinato.
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"É somente pelo amaciamento e disfarce da carne morta através do preparo culinário, que ela é tornada suscetível de mastigação ou digestão e que a visão de seus sucos sangrentos e horror puro não criam um desgosto e abominação intoleráveis."
Percy Bysshe Shelley
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E aí que se manifesta a psicopatia, mesmo que bois, porcos, aves e peixes possuirem formas e tamanhos distintos dos nossos ainda sim eles pssuem sentimentos, vida e um propósito no mundo (e não é virar espetinho pra saciar sua gula torpe), e mesmo assim a sociedade os subjugam sem nenhuma dó, sem ficarem com a consciência pesada, na verdade sentem até prazer em sentir o sangue do animal em suas bocas.
Esses são os sintomas de um psicopata, matar pra sentir prazer, pra saciar um sentimento torpe como sua gula e com consciência plena de seus atos.
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"Enquanto o homem continuar a ser o destruidor dos seres animados dos planos inferiores, não conhecerá a saúde nem a paz. Enquanto os homens massacrarem os animais, eles se matarão uns aos outros. Aquele que semeia a morte e o sofrimento não pode colher a alegria e o amor."
Pythagoras
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Tome uma atitude. Pare de comer carne. Pelos animais, pelo planeta e por você.

Tuesday, December 22, 2009

Análise retrospectiva

No findar deste ano olho para trás e vejo a azáfama em que andei. Vejo que este ano descobri imensas coisas, nem todas boas, nem todas más. E que é assim que se vai construindo a vida: a cada dia-a-dia que passa escrevemos e reescrevemos o futuro.
Este ano apercebi-me que tenho vivido nos últimos anos num mundo privilegiado, no qual muita da insanidade não se me tinha sido revelada.
Este ano aprendi com o pior que alguns seres humanos têm para demonstrar. Vi abandono, vi desprezo, vi maus tratos que são alheios à maioria das pessoas, pois a grande maioria também vive alheia no seu dia-a-dia atarefado.
Este ano encontrei pessoas maravilhosas, dispostas a deixar tudo para ajudar os outros.
E compreendi que tudo caminha em conjunto. Tudo está em constante mudança.
Este ano tornei-me menos doce aos olhos de alguns, pois aprendi a dizer que não, pois aprendi que nem todas as pessoas são humanamente iguais, pois aprendi que é preciso aceitar a diferença, mas não necessariamente concordar ou compactuar com ela.

Este ano gritei interiormente na esperança de que o mundo ouvisse.
Este ano olhei para alguns amigos e estendi a mão.
Este ano dei imensos abraços.
Este ano dei e recebi imensos sorrisos todos os dias.
Este ano acolhi, amei, chorei, protegi.
Este ano errei muitas vezes e procurei aprender com isso.
Este ano cresci mais um bocadinho e percebi imensas coisas.
Este ano percebi que por muito que tente nunca será suficiente, mas que o suficiente será eu fazer o bocadinho que me compete...

Um ano de Luz para todos vós.

Marta


Mensagem (quase) Natalícia

Caros amigos,

desculpar-me-ão pelos sucessivos emails, desculpar-me-ão pelas sucessivas mensagens com carácter informativo acerca dos direitos dos animais, que mais não são do que a tomada de consciência do mundo em que vivemos e da vontade e necessidade de o mudar.

Nesta época Natalícia, em que tanto se apregoa a bondade e a caridade, esses mesmos desejos vêm-se nas acções que cada um realiza, seja para consigo próprio, seja para com os outros que o rodeiam.

Mais do que tudo, gostaria de continuar a acreditar no humanismo da maioria dos seres humanos relativamente a todos os seres. Gostaria que das palavras e intenções se passasse à acção. Infelizmente este Natal vi acontecer na minha frente o desinteresse para com a solidão de outros seres humanos. Infelizmente este Natal, mais uma vez, vejo sobretudo o consumismo, vejo a fachada e os muros que se erguem. E por vezes é tão simples, basta abrir o coração e pôr mais um prato de sopa na mesa.
Morreram 46 sem abrigo na Polónia há duas noites atrás. Morrem milhares de pessoas à fome todos os dias por todo o mundo. Os países continuam a bater-se em guerras sangrentas por um bocado de terra que nunca chegará a pertencer-nos verdadeiramente. Quando acordará o ser humano de tamanha insensatez?!?

A desresponsabilização hoje em dia é enorme. E estamos todos interligados, quer estejamos disso conscientes quer não. Eu quero continuar a acreditar que é possível mudar o estado das coisas, se cada um de nós tomar delas consciência e fizer a sua parte.

Esta é a altura habitual da análise retrospectiva ao ano que finda. Fazem-se imensos planos, alguns dos quais não chegam a sair da gaveta. Porque não olhar para o lado e ver que de pequenos gestos, por vezes de pequenos sorrisos até, se pode fazer uma diferença enorme em quem nos rodeia?
Porque não parar e olhar com olhos de ver o mundo em que vivemos?
Porque não questionar a lógica das coisas?
Porque não pensarmos por nós próprios naquilo que verdadeiramente nos faz felizes?
Porque não distribuir mais amor, mais abraços, mais vida?
Porque não distribuir mais esperança?
Devagar, devagarinho, tudo à nossa volta começa a mudar.
Não só vemos com mais clareza a insensatez do mundo, mas também vemos mais e mais pessoas que decidiram fazer a sua parte e contribuir para um mundo melhor.

A todos vós desejo tudo de bom. E que um mundo extraordinário se revele a vossos pés :-)

Abraço,

Marta Dutra



Tuesday, December 08, 2009

Eu vi nos olhos a desilusão de uma vida
a desilusão de um vida construída sobre um império
que ruiu
uma vida e um corpo que ruiram
porque o verdadeiro império de uma vida
era uma filha
que se soltou
uma filha que se matou
e o império ruiu
e o corpo colapsou
Os olhos olham para trás
os olhos olham para o futuro
e não encontram qualquer sentido
o império ruiu naquele momento
o sentido da vida desfez-se...
porque o sentido da vida era externo
e quando o coração parou
a incongruência apanhou tudo o resto

e isto acontecerá em muitas vidas
a muitos de nós
aos 80 e alguns anos
olhar para trás e verificar que tudo foi sem sentido
olhar para a frente e não ver mais nada que a morte

e a vida constrói-se hoje
HOJE é dia de celebração
hoje é dia de risos
hoje é dia de planos imediatos

o amanhã poderá não chegar
a fortuna acumulada poderá não servir para nada

porque sim meus amigos
todos vamos morrer
a interiorização deste facto pode ser o momento mais importante da tua vida
porque passarás a valorizar o que é de facto importante
porque verás que o dinheiro não compra um sorriso
o dinheiro não compra uma verdadeira amizade
o dinheiro não compra o amor
pelo que de nada serve sem o resto

respira fundo
partilha o que tens
olha para o lado e vê o outro caído no passeio
e procura dentro de ti uma ajuda possível
pára e escuta
são imensos os gritos que se ouvem
alguns fechados em quartos quase vazios
de corpos que morrem sem que ninguém lhes sinta a falta

qual o sentido de tudo meu amigo
senão viver e ser feliz?

o emprego? a carreira? o status?
são risíveis os estatutos e os louros
os caixões mais ou menos dourados irão todos para o mesmo sítio

voltaremos ao lugar de onde viemos
gostaria que deixássemos o mundo melhor do que o encontrámos!

vou repetir: tu vais morrer
não levas nada contigo
excepto a roupa que te vestirem
daqui a duas gerações ninguém saberá quem foste
então
o importante é perpetuares a tua energia
é distribuir amor
é acarinhar
é olhar para o lado com olhos de ver
o teu umbigo não deveria ser maior do que o dos outros
reparte
e todos poderemos terminar achando que valeu a pena cá ter vindo

Saturday, November 28, 2009

Saber Viver - Cora Coralina

Não sei... Se a vida é curta
Ou longa demais para nós,
Mas sei que nada do que vivemos
Tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas.
Muitas vezes basta ser :
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.
E isso não é coisa de outro mundo,
É o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela
Não seja nem curta,
Nem longa demais,
Mas que seja intensa,
Verdadeira, pura... Enquanto durar.


Thursday, August 20, 2009

limpidez de estrelas
à volta de uma fogueira nas fragas
magia de um tempo esquecido
em que a limpidez se reflecte nos rostos de todos nós
contadores de estórias infinitas
as mãos tacteiam o fogo
que do peito se solta
não creio que amanheça
a magia permanecerá em nós
minuto após minuto
dos rostos fracamente iluminados pelas labaredas
sonhos desgovernados na ponta dos dedos
calor que se aconchega às pernas
(e à alma)
tenho linhas e linhas de estórias para contar-vos
sob a viola do marco
palhaço que a vida transformou em todos nós
nas rédeas de um tempo solto
que a realidade jamais roubará
tenho estórias na ponta dos dedos
acolhe-as em tuas mãos
conta-as no teu sorriso dedilhado
o universo beberá as tuas impressões
impregnadas de bondade e anseios
são estes os momentos que permanecem
para sempre na memória inapagável de cada um de nós
são estes os momentos de magia
que mais tarde recontaremos em cada fogueira extinta
são estas as estrelas que levamos connosco
as estrelas e os sorrisos inocentes
que em nossos peitos permanecerão

md

Sunday, July 19, 2009

recado

assisto diariamente a uma colagem de peças desordenadas
não creio que o sentido se encontre
nessas névoas trespassadas
revolteios e revoltas
de quem nada sabe
e se perdeu

marta dutra

Saturday, May 09, 2009

destino



Ter um destino é não caber no berço onde o corpo nasceu, é transpor as fronteiras uma a uma e morrer sem nenhuma.

Miguel Torga, in Fernão de Magalhães, Antologia Poética. Lisboa: Dom Quixote, 1999.

Thursday, April 23, 2009

e não dizemos nada...

Na primeira noite, eles aproximam-se
e colhem uma flor do nosso jardim.
E não dizemos nada.

Na segunda noite, já não se escondem,
pisam as flores, matam o nosso cão.
E não dizemos nada.

Até que um dia, o mais frágil deles, entra
sozinho em nossa casa, souba-nos a lua,
e, conhecendo o nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.

E porque não dissemos nada,
já não podemos dizer nada.

Maiakovski (1893-1930)


Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro
Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário
Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável
Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho o meu emprego
Também não me importei
Agora estão a levar-me
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.

Bertold Brecht (1898-1956)


Thursday, April 09, 2009

o ser humano tem coisas que não lembra aos animais...

O Banco Alimentar contra a Fome, fazendo-se representar por um advogado, enviou um aviso ao Banco Alimentar Animal para que este mude o seu logotipo e designação, pois esta situação poderá ofender milhares de dadores e voluntários da Banco Alimentar contra a Fome, uma vez que cria a ideia de que "a contribuição e ajuda das pessoas mais carenciadas se poderá equiparar ao apoio a animais, o que não é aceitável."

Se eu até poderia compreender que a nível de marketing e publicidade pudesse ser inconveniente ao Banco Alimentar contra a Fome ser confundido com outra instituição, basear também essa exigência na legitimade maior ou menor das pessoas/animais é incompreensível.

Costuma vir-me à mente muitas vezes esta frase: o ser humano transporta-se a si próprio em tudo aquilo que faz; é por isso que nestas instituições/associações se originam tantos debates e quezílias. Ninguém deixa de ser quem é por pertencer a uma instituição de solidariedade social, pelo contrário, por vezes serve-lhe para exacerbar egos.

Não é esse o objectivo, nem o factor primário. Pena que se continue a verificar.

Felizmente há outros tantos que o fazem de coração. É com esses que estou disposta a trabalhar. Prefiro a ajuda anónima e desinteressada. Nessa tenho a certeza que vem o sentimento que nos preenche.

Tuesday, March 31, 2009

quando a última árvore tiver caído...



Quando a última árvore tiver caído,

Quando o último rio tiver secado,
Quando o último peixe for pescado,
Vocês vão entender que dinheiro não se come.
(Greenpeace)


Monday, March 09, 2009

Going somewhere?

- Where are you going?

- The same as you, I guess.
But before, I would like to see all the children smiling again, all the animals treated as they should be, the Planet free of money and power influences. Only kind and respectful people dreaming about a better future.

- In what world do you live?

Wednesday, March 04, 2009

Cálculos por cá...

Imaginem que todos os gestores públicos das setenta e sete empresas do Estado decidiam voluntariamente baixar os seus vencimentos e prémios em dez por cento. Imaginem que decidiam fazer isso independentemente dos resultados.
Se os resultados fossem bons as reduções contribuíam para a produtividade. Se fossem maus ajudavam em muito na recuperação. Imaginem que os gestores públicos optavam por carros dez por cento mais baratos e que reduziam as suas dotações de combustível em dez por cento.
Imaginem que as suas despesas de representação diminuíam dez por cento também. Que retiravam dez por cento ao que debitam regularmente nos cartões de crédito das empresas. Imaginem ainda que os carros pagos pelo Estado para funções do Estado tinham ESTADO escrito na porta. Imaginem que só eram usados em funções do Estado.
Imaginem que dispensavam dez por cento dos assessores e consultores e passavam a utilizar a prata da casa para o serviço público. Imaginem que gastavam dez por cento menos em pacotes de rescisão para quem trabalha e não se quer reformar. Imaginem que os gestores públicos do passado, que são os pensionistas milionários do presente, se inspiravam nisto e aceitavam uma redução de dez por cento nas suas pensões. Em todas as suas pensões. Eles acumulam várias. Não era nada de muito dramático. Ainda ficavam, todos, muito acima dos mil contos por mês.
Imaginem que o faziam, por ética ou por vergonha. Imaginem que o faziam por consciência. Imaginem o efeito que isto teria no défice das contas públicas. Imaginem os postos de trabalho que se mantinham e os que se criavam. Imaginem os lugares a aumentar nas faculdades, nas escolas, nas creches e nos lares. Imaginem este dinheiro a ser usado em tribunais para reduzir dez por cento o tempo de espera por uma sentença. Ou no posto de saúde para esperarmos menos dez por cento do tempo por uma consulta ou por uma operação às cataratas.
Imaginem remédios dez por cento mais baratos. Imaginem dentistas incluídos no serviço nacional de saúde. Imaginem a segurança que os municípios podiam comprar com esses dinheiros. Imaginem uma Polícia dez por cento mais bem paga, dez por cento mais bem equipada e mais motivada. Imaginem as pensões que se podiam actualizar. Imaginem todo esse dinheiro bem gerido. Imaginem IRC, IRS e IVA a descerem dez por cento também e a economia a soltar-se à velocidade de mais dez por cento em fábricas, lojas, ateliers, teatros, cinemas, estúdios, cafés, restaurantes e jardins.
Imaginem que o inédito acto de gestão de Fernando Pinto, da TAP, de baixar dez por cento as remunerações do seu Conselho de Administração nesta altura de crise na TAP, no país e no Mundo é seguido pelas outras setenta e sete empresas públicas em Portugal. Imaginem que a histórica decisão de Fernando Pinto de reduzir em dez por cento os prémios de gestão, independentemente dos resultados serem bons ou maus, é seguida pelas outras empresas públicas.
Imaginem que é seguida por aquelas que distribuem prémios quando dão prejuízo. Imaginem que país podíamos ser se o fizéssemos. Imaginem que país seremos se não o fizermos.
Mário Crespo, Jornal de Notícias

Vamos fazer uns cálculos simples...

- Reflexão enviada por um telespectador à CNN -

O plano de resgate de bancos com dinheiro dos contribuintes que ainda se discute no Congresso nos EUA, custará a impressionante cifra de 700.000 milhões de dólares; mais os 500.000 milhões que já foram entregues à banca, mais os milhares de milhões que os governantes da Europa entregarão aos seus bancos nesse continente.
Mas para tentar dimensionar um pouco as cifras envolvidas o telespectador fez o seguinte cálculo:

"O planeta tem 6.700 milhões de habitantes, se se dividisse - "só" os 700.000 milhões de dólares - entre os 6.700 milhões de pessoas que habitam o planeta, equivaleria a entregar-lhes 104 milhões de dólares a cada um."
"Com isso não só se erradicaria de imeditao toda a pobreza do Mundo, como automaticamente se converteria em milionários TODOS os habitantes da Terra."

Conclui dizendo: "Parece que realmente há um pequeno problema na distribuição da riqueza."

Sunday, March 01, 2009

Sabe o que come em Portugal?

Assista à reportagem:

(só é de facto cego quem não quer ver)


Touradas (ou acerca do fim das)

Viana do Castelo é oficialmente declarada a primeira “cidade anti-touradas” do país

É oficial. Depois de recentemente ter tomado uma decisão extraordinária no sentido de comprar a praça de touros local e de a transformar num centro de ciência viva, onde mais nenhum animal seria torturado, a Câmara Municipal de Viana do Castelo, na pessoa do seu Presidente, Defensor Moura, foi alvo de uma tremenda onda de louvor, agradecimento e apoio, nacional e internacional, gerada pela ANIMAL, que levou este autarca a declarar à comunicação social que acabar com as touradas em Viana do Castelo “foi a medida mais popular” que tomou, tendo recebido mais de mil mensagens de agradecimento e apoio vindas de todo o mundo.

Nessa mobilização de apoio e encorajamento, a ANIMAL apelou também a todos os seus membros e apoiantes que pedissem ao Presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo para dar o passo natural seguinte e vital, que seria declarar oficialmente a cidade de Viana do Castelo a primeira cidade anti-touradas de Portugal, deixando de autorizar a realização de touradas em espaços públicos da cidade e impedindo a realização destes espectáculos sanguinários em todos os sentidos em que o município o possa fazer. E foi isso que aconteceu ontem, quando o Executivo da Câmara Municipal de Viana do Castelo decidiu, como noticia o “Público” (leia a notícia “Viana do Castelo é a primeira “cidade anti-touradas” do país”, em http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1367028), dar esse fundamental passo, declarando esta a primeira cidade oficialmente anti-touradas de Portugal, juntando-se às 53 cidades e vilas espanholas e às 3 localidades francesas que já foram oficialmente declaradas cidades ou vilas anti-touradas pelos respectivos municípios.

Segundo noticiou o “Público”, “Para [Defensor] Moura, a medida faz todo o sentido por ir de encontro ao perfil de cidade saudável adoptado há mais de uma década, especialmente desde que o município integra as redes, portuguesa e europeia, de Cidades Saudáveis. Para além do respeito pelos direitos humanos, preservação do património natural e promoção dos valores ambientais, o executivo socialista considera que o espírito, de cidade moderna e progressista, deve estender-se ao respeito pelos direitos dos animais”. Ainda segundo noticiou este diário, o Presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo declarou que “A defesa dos direitos dos animais não é compatível com a realização de espectáculos de tortura, que provocam sofrimento injustificado”.

Thursday, February 26, 2009

Thursday, February 19, 2009

o que fizeram do mundo



o que fizeram do mundo parece
impensável aos olhos de uma criança

de esperança genuína e lágrimas límpidas
fizeram dela a imagem do desespero

não nos revemos neste vosso mundo adulto
de politiquice imunda
de dinheiros e sorrisos presumidos

é vosso o caixão que se desenha

e a terra podre que vos incendiará os ossos

(ninguém magoa uma criança impunemente)

Marta Dutra


Saturday, February 07, 2009

uma saudade


fOTO: Francisco Oliveira inwww.olhares.com/fraoli


há dias em que queremos dar tudo aos outros
mesmo aquilo que os nossos olhos não alcançam
há dias em que tudo parece pouco
a vida demasiado pequena
para abarcar toda uma experiência
fica uma saudade
de quem nunca mais veremos
e uma prece sentida
que se espera levada numa abraço

Wednesday, January 21, 2009

o fim da vida, João Pereira Coutinho


fOTO: conceição maia in www.olhares.com/rolo

"Não tenho filhos e tremo só de pensar. Os exemplos que vejo em volta não aconselham temeridades. Hordas de amigos constituem as respectivas proles e, apesar da benesse, não levam vidas descansadas. Pelo contrário: estão invariavelmente mergulhados numa angústia e numa ansiedade de contornos particularmente patológicos.
Percebo porquê. Há cem ou duzentos anos, a vida dependia do berço, da posição social e da fortuna familiar. Hoje, não. A criança nasce, não numa família mas numa pista de atletismo, com as barreiras da praxe: jardim-escola aos três, natação aos quatro, lições de piano aos cinco, escola aos seis, e um exército de professores, explicadores, educadores e psicólogos, como se a criança fosse um potro de competição.·
Eis a ideologia criminosa que se instalou definitivamente nas sociedades modernas: a vida não é para ser vivida - mas construída com sucessos pessoais e profissionais, uns atrás dos outros, em
progressão geométrica para o infinito.
É preciso o emprego de sonho, a casa de sonho, o maridinho de sonho, os amigos de sonho, as férias de sonho, os restaurantes de sonho.

Não admira que, até 2020, um terço da população mundial esteja a mamar forte no Prozac. É a velha história da cenoura e do burro: quanto mais temos, mais queremos.Quanto mais queremos, mais desesperamos.
A meritocracia gera uma insatisfação insaciável que acabará por arrasar o mais leve traço de humanidade.O que não deixa de ser uma lástima.
Se as pessoas voltassem a ler os clássicos, sobretudo Montaigne, saberiam que o fim último da vida não é a excelência, mas sim a felicidade!"

João Pereira Coutinho, jornalista

Thursday, January 08, 2009

Fim de Ano Comunitário no Retiro da Fraguinha: chuvoso e frio mas muitíssimo caloroso!

(fOTOS: Gualdino Correia)


















Retiro da Fraguinha: http://www.pesnaterra.com/

Sunday, December 14, 2008

Não sei se é amor...




Não sei se é amor
desejo
ou apenas
uma forma de morrer
tão diferente
e tão igual a tantas outras

Sei apenas
que me fazes falta
como se eu
fosse gaivota
e não houvesse mar
ou como se fosse
andorinha
numa
Primavera
interdita



Orlando Jorge Figueiredo
Dezembro 2008

Sunday, November 16, 2008

de José Saramago e da lucidez

Excerto de entrevista a José Saramago, Jornal de Letras

JL: A Viagem do Elefante é uma alegoria, amargamente irónica, da natureza humana?
JS: Sim. Todos nós damos vontade de rir. Somos uns pobres diabos. Usando um termos grosseiro: muita cagança, muita cagança e para quê? Somos pequeníssimos. Não é que uma pessoa tenha que aceitar a sua pequenez, mas parece-me bastante triste a vaidade, a presunção, o orgulho, tudo isso com que pretendemos ou queremos mostrar que somos mais do que efectivamente somos. Não será caricato ou ridículo, mas bastante triste.

[e ainda acerca do livro e do ter sido escrito durante o período em que esteve doente]

JL: Foi uma convulsão?
JS: Creio que sim, que se passaram coisas estranhas nesse período em que estive doente. Durante um tempo, talvez umas horas, um dia ou dois, apresentou-se-me, por exemplo, uma imagem com um fundo negro e quatro pontos brancos formando um quadrilátero irregular. Eram brilhantes como se fossem corpos celestes no espaço.

JL: Que pontos eram esses?
JS: Tive a certeza que esses quatro pontos eram eu.

JL: Imaginou essa espécie de transposição ou redução quântica?
JS: Não foi uma imaginação. Vi e soube que eu era aqueles quatro pontos. E tenho que dizer que isso não me pertubou nada. Para ser franco, até tenho pena de os ter deixado de ver.

JL: E como teve a certeza de que era esses pontos?
JS: Não havia traços fisionómicos, apenas a consciência de que podia estar reduzido a esses quatro pontos, que a complexidade física e mental do ser humano se poderia reduzir a esses pontos que nem sequer eram regulares.

JL: O que descreve parece a experiência absoluta da relativização da existência diante da morte.
JS: É uma espécie de total despersonalização. Eu tinha deixado de ser quem julgava que era, ao mesmo tempo que me reconhecia nesses quatro pontos. Como é que isso se produziu, não me perguntem.
(...)

Sunday, October 26, 2008

Monday, October 06, 2008

Renascer


























do mar
nasce o teu abraço

no teu porão
sonho
a vigília das noites futuras

neste barco
onde está escrita
toda a tua vida
as ondas devolvem-me
os segredos do teu olhar

não há lua
não há mar

apenas o cais
onde desembarco
e recomeço

Orlando Jorge Figueiredo

Saturday, October 04, 2008

no dia internacional do animal




Na Foto: Faísca, o espreguiça



Declaração Universal dos Direitos dos Animais

PREÂMBULO

Considerando que todo o animal possui direitos,
Considerando que o desconhecimento e o desprezo destes direitos têm levado e continuam a levar o homem a cometer crimes contra os animais e contra a natureza,
Considerando que o reconhecimento pela espécie humana do direito à existência das outras espécies animais constitui o fundamento da coexistência das outras espécies no mundo,
Considerando que os genocídios são perpetrados pelo homem e há o perigo de continuar a perpetrar outros.
Considerando que o respeito dos homens pelos animais está ligado ao respeito dos homens pelo seu semelhante,
Considerando que a educação deve ensinar desde a infância a observar, a compreender, a respeitar e a amar os animais,
PROCLAMA-SE O SEGUINTE:
Art. 1 - Todos os animais nascem iguais perante a vida e têm os mesmos direitos à existência.
Art. 2
1.Todo o animal tem o direito a ser respeitado.
2.O homem, como espécie animal, não pode exterminar os outros animais ou explorá-los violando esse direito; tem o dever de pôr os seus conhecimentos ao serviço dos animais.
3.Todo o animal tem o direito à atenção, aos cuidados e à proteção do homem.
Art. 3
1.Nenhum animal será submetido nem a maus tratos nem a atos cruéis.
2.Se for necessário matar um animal, ele deve de ser morto instantaneamente, sem dor e de modo a não provocar-lhe angústia.
Art. 4
1.Todo o animal pertencente a uma espécie selvagem tem o direito de viver livre no seu próprio ambiente natural, terrestre, aéreo ou aquático e tem o direito de se reproduzir.
2.toda a privação de liberdade, mesmo que tenha fins educativos, é contrária a este direito.
Art. 5
1.Todo o animal pertencente a uma espécie que viva tradicionalmente no meio ambiente do homem tem o direito de viver e de crescer ao ritmo e nas condições de vida e de liberdade que são próprias da sua espécie.
2.Toda a modificação deste ritmo ou destas condições que forem impostas pelo homem com fins mercantis é contrária a este direito.
Art. 6
1.Todo o animal que o homem escolheu para seu companheiro tem direito a uma duração de vida conforme a sua longevidade natural.
2.O abandono de um animal é um ato cruel e degradante.
Art. 7 - Todo o animal de trabalho tem direito a uma limitação razoável de duração e de intensidade de trabalho, a uma alimentação reparadora e ao repouso.
Art. 8
1.A experimentação animal que implique sofrimento físico ou psicológico é incompatível com os direitos do animal, quer se trate de uma experiência médica, científica, comercial ou qualquer que seja a forma de experimentação. 2.As técnicas de substituição devem de ser utilizadas e desenvolvidas.
Art. 9 - Quando o animal é criado para alimentação, ele deve de ser alimentado, alojado, transportado e morto sem que disso resulte para ele nem ansiedade nem dor.
Art. 10
1.Nenhum animal deve de ser explorado para divertimento do homem.
2.As exibições de animais e os espetáculos que utilizem animais são incompatíveis com a dignidade do animal.
Art. 11 - Todo o ato que implique a morte de um animal sem necessidade é um biocídio, isto é um crime contra a vida.
Art. 12
1.Todo o ato que implique a morte de um grande número de animais selvagens é um genocídio, isto é, um crime contra a espécie.
2.A poluição e a destruição do ambiente natural conduzem ao genocídio.
Art. 13
1.O animal morto deve de ser tratado com respeito.
2.As cenas de violência de que os animais são vítimas devem de ser interditas no cinema e na televisão, salvo se elas tiverem por fim demonstrar um atentado aos direitos do animal.
Art. 14
1.Os organismos de proteção e de salvaguarda dos animais devem estar presentados a nível governamental.
2.Os direitos do animal devem ser defendidos pela lei como os direitos do homem.
(*)A Declaração Universal dos Direitos dos Animais foi proclamada pela UNESCO em sessão realizada em Bruxelas, Bélgica, em 27 de Janeiro de 1978

Monday, September 29, 2008



a estupidificação e o entendimento crescem em conjunto


neste caso substituo a palavra entendimento por 'crescimento pessoal'.
e o que é isso de crescimento pessoal? mais um cliché na moda? onde proliferam livros e inúmeros cursos? não deveríamos todos ter ultrapassado a idade dos porquês?
- tudo isto pergunta a mente, o ser racional.

o EU e a mente são duas (chamemos-lhe) entidades distintas. é difícil compreender este conceito, mas quando integrado, faz-se luz.
aprendemos a distinguir entre mente/pensamento e sentimento/emoção/SER. a nossa natureza torna-se clara e o nosso objectivo também.

o nosso EU identifica-se de mais perto com toda a natureza e seres vivos e sente cada perda ou mal/dano infligido a cada ser vivo como um dano infligido a si próprio. o sofrimento do outro torna-se intolerável. é muito pouco tolerável também a tal estupidificação e embrutecimento de quem desumanamente mata, causa sofrimento dos mais variados modos a outras pessoas e animais e demais seres vivos.

a guerra torna-se um acto abjecto. incompreensível.


qual o objectivo de se ser senhor da guerra? e senhor da luta de poderes?


o ser humano engana-se e inicia jogos de consequências catastróficas para toda a humanidade.
e está convencido de que fica cá para todo o sempre a negociar e regatear os pedaços de terra em que dividiu o Planeta e a jogar com preços de acções e petróleo.

parece conversa de crianças e de concursos de beleza apelar à paz? meus amigos, que outro objectivo o desta estadia para além dela desfrutar preservando ao máximo o planeta que legaremos às gerações vindouras? que outro objectivo o da nossa estadia para além de passar o legado a alguém?
é que a vida acaba-se cedo. por vezes demasiado cedo... e quando há essa oportunidade, muitas pessoas pensam nos escassos momentos que por vezes antecedem a partida que se voltassem a nascer fariam tudo diferente.
o momento para tornar tudo diferente é HOJE.


isto tudo a propósito de quê?


da brutalidade que continua a existir contra os nossos animais, que desta vez bateu à porta de uma amigo meu, tendo encontrado mais um dos seus animais de estimação (o que seria o mesmo que dizer um dos seus familiares) morto por envenenamento.

a estupidificação e o entendimento caminham em conjunto. a esperança é que a primeira se transforme na segunda.

Wednesday, September 24, 2008

Dias de Melo


Nascido na ilha do Pico, Freguesia da Calheta de Nesquim, Concelho das Lajes do Pico, José Dias de Melo morreu hoje, aos 83 anos, após 50 anos de vida literária com várias obras publicadas, entre as quais PEDRAS NEGRAS, traduzida em inglês e japonês. Talvez como ninguém, Dias de Melo soube retratar e enobrecer a vivência picoense, em especial as gentes dos mares, os valentes protagonistas da saga baleeira. E a literatura do século XX perde um dos seus grandes nomes.

Sunday, September 14, 2008

ATÉ QUANDO?!?

Hoje li uma notícia antiga que me deixou sem palavras, tamanha a atrocidade. Deixou-me sem palavras, mas com vontade de vomitar. Foi esta a notícia no meio de tantas outras.



Um cão foi mutilado com uma máquina de ceifar, na passada terça-feira, em Cacia, concelho de Aveiro. O responsável pelo acto abandonou o cão sem assistência, tendo o animal morrido passadas 24 horas. O homem, que vivia em terrenos adjacentes ao local onde o cão se encontrava, não foi em momento algum ameaçado pelo animal, que tinha cerca de um ano e era de pequeno porte, garantem testemunhas. A GNR está a investigar o caso.

Armanda Pinto Ribeiro, de 50 anos – voluntária de três associações de defesa dos animais e que vive perto do local onde o cão foi mutilado – foi contactada pela dona do animal quando esta percebeu, passadas mais de 15 horas, que ele ainda estava vivo. As duas levaram o cão à clínica Planeta Animal, em Aveiro. Aqui, o animal foi assistido, tendo chegado a ser preparado para uma cirurgia com o objectivo de lhe serem amputadas as quatro patas, mas acabou por não resistir à extensão dos ferimentos e ao número de horas que ficou sem assistência.

"Sabemos quem foi o indivíduo que fez isto. Ele tinha ordens para cortar a erva do terreno, que pertence a umas pessoas de Lisboa, e quando foi para lá com a máquina de ceifar, viu o cão e mutilou-o. Ele fez de propósito, por crueldade. Ele até teve que fazer marcha-atrás com a máquina, para passar por cima do cão. O animal tentou fugir, num primeiro momento, mas depois deve ter ficado desorientado, com o barulho, e acabou por ser apanhado".

"No fim ele ainda se virou para a dona, que assistiu a tudo sem poder fazer nada, e disse-lhe 'O teu cão, esquece, ficou arrumado!'", indicou ainda Armanda Pinto Ribeiro ao PÚBLICO, confirmando que o cão era de pequeno porte, tinha cerca de um ano, e não era ameaçador.

Os donos do animal dirigiram-se à GNR para apresentar queixa, onde lhes terão solicitado os documentos de registo do animal e o boletim de vacinas, que o animal não tinha, como explicou ao PÚBLICO o tenente comandante Faria, do destacamento da GNR de Aveiro.

Para apresentar queixa deveriam ter os documentos", diz, acrescentando que esta acabou por não ser apresentada. "Ninguém recusou a queixa", garante o graduado. Mas confirma, após a questão lhe ser colocada, que, havendo testemunhas que confirmassem que as pessoas em causa eram proprietárias do cão, isso bastaria para seguir com a queixa em frente, mesmo sem documentos.

A queixa sobre a agressão ao animal acabou por chegar depois à GNR pela linha SOS ambiente e o tenente comandante Faria afirma que "estão a correr as diligências levadas a cabo pela equipa de protecção da natureza e ambiente para apurar a verdade dos factos e definir se existe matéria contra-ordenacional ou criminal".

De acordo com informação disponível no site da associação ANIMAL, a violência contra animais é punível com coimas cujos valores podem variar entre os 500 e os 3740 euros. Mas Miguel Moutinho, da associação, explica que a agressão a animais não consta como crime na legislação portuguesa. E que a única maneira de punir criminalmente quem agride é encarando a agressão como um crime de dano de propriedade. Para isso os donos têm de ser identificados como tal. O caso passa então para a esfera do Ministério Público, a quem se pode apresentar a queixa directamente.

"Se for um cão vadio não se trata de um crime. A legislação portuguesa não tipifica como crime um único acto de violência contra animais. Mas aqui há crime de dano, a propriedade de alguém foi destruída. Sem dono, a agressão leva a uma mera contra-ordenação. E se o agressor não tiver dinheiro fica tudo na mesma", explica Miguel Moutinho.

26/06/2008 Fonte: www.cacia.pt

E sobretudo, faça rimas ricas, ainda que de realidades pobres

Texto escrito em 06/08/07


Há textos que não aduzem à alocução mental produtiva.
Nem margens dão a um laivo de reflexão limitada.
São pensamentos pobres colhidos em terra improdutiva.
Idéias verdes, não maduras, que não aguardaram serem colhidas.
Sementes de frutos nobres que jamais foram cultivados.

Mas toda idéia, que por natureza é perecível,
É também grávida da dádiva de ser reciclada.
Manifeste-se em palavras, com mestria, sem academicismos.
Misture, mescle, pinte idéias e símbolos prenhez de aforismos.
E sobretudo, faça rimas ricas, ainda que de realidades pobres.
Pois é da palavra simples que sai de ti,
Que se alforria da alma a tua parte mais nobre.

Martius de Oliveira

Monday, September 01, 2008

em Retiro

ainda existem sítios assim. onde o tempo pára e apetece ficar num aconchego.


Retiro da Fraguinha - Serra da Arada - http://www.pesnaterra.com/

Pés na Terra - Turismo, Desenvolvimento Rural e Valorização Humana


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Xavier: o cão de guarda do sítio. conseguiu sobreviver ao rigoroso Inverno da serra sózinho, de finais de Janeiro a Maio.

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Monday, August 25, 2008

mensagem de Verão

ontem deixaram-me esta mensagem:

Olá Marta
Bom Verão
com emoção
e divertimento
no melhor tempo
que a vida dá
já que outra era
não sei se há!
Com belos sons
da natureza!
sempre quem dera
na certeza que tudo é belo
tanto espero!
Beijos
Angelino
obrigado meu amigo poeta.

Friday, August 22, 2008

das férias o regresso


Castelo Branco - Faial - fOTO: Gualdino Correia
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da janela do acordar - Pico - fOTO: Gualdino Correia
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apresentação do livro Vago - o Olhar - Horta

da esq. para dir.:

Dr. Luís S. Bento, Prof. Ermelinda Nunes, Prof. Maria do Céu Brito, Marta Dutra, Prof. Victor Rui Dores

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Saturday, August 02, 2008

Definição de Avó

Definição de Avó
Artigo redigido por uma menina de 8 anos e publicado no Jornal do
Cartaxo.

'Uma Avó é uma mulher que não tem filhos, por isso gosta dos filhos dos outros.
As Avós não têm nada para fazer, é só estarem ali.
Quando nos levam a passear, andam devagar e não pisam as flores
bonitas nem as lagartas.
Nunca dizem 'Despacha-te!'. Normalmente são gordas, mas mesmo assim
conseguem apertar-nos os sapatos.
Sabem sempre que a gente quer mais uma fatia de bolo ou uma fatia maior.
As Avós usam óculos e às vezes até conseguem tirar os dentes.
Quando nos contam historias, nunca saltam bocados e nunca se importam
de contar a mesma história várias vezes.
As Avós são as únicas pessoas grandes que têm sempre tempo.
Não são tão fracas como dizem, apesar de morrerem mais vezes do que nós.
Toda a gente deve fazer o possível por ter uma Avó,sobretudo se não
tiver Televisão'.




Sunday, July 06, 2008

why

quanto vive o homem?

Quanto vive o homem, por fim?
Vive mil anos ou um só?
Vive uma semana ou vários séculos?
Por quanto tempo morre o homem?
Que quer dizer para sempre?
Pablo Neruda

Thursday, July 03, 2008

Tertúlia "A Poesia não tem nome"


A Pó de Ser e o Hotel Moliceiro têm o prazer de o convidar para a primeira Tertúlia Pó de Ser: “A Poesia não tem nome”, que terá lugar no dia 11 de Julho pelas 21h30, no Hotel Moliceiro, em Aveiro.

Desafiamo-lo desde já a trazer um poema (que poderá ser da sua autoria) e a partilhá-lo connosco.

Consigo esta festa de palavras transformar-se-á num poema!

As nossas saudações poéticas.

Pela Organização
Marta Dutra


Contactos: Marta Dutra – martadutra7@gmail.com / 919297478/ www.martadutra.blogspot.com
Pó de Ser - casa.do.po.de.ser@gmail.com / 966993861 / 914812321 / 912224447/ www.encontrosterapeuticos.blogspot.com

Monday, June 30, 2008

formas distintas de envelhecer

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Envelheço antes de tempo

Lamento as coisas que não disse
e os projectos que não realizei
numa segurança afinal insegura
Os meus dedos já não têm cor
os meus olhos deixaram de ver
perdi a noção das coisas evidentes
Como eu lamento não ter sido capaz
de ser eu própria
presa a convenções e opiniões
O meu corpo já não acompanha
as viagens que realizo aqui sentada
A realidade é esta: envelheci!
e só agora o percebo
quando as minhas pernas não me levam onde quero
quando me esqueço de quem sou

Marta Dutra in Vago - o Olhar

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Hoppipolla music video by Sigur Ros
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Wednesday, June 25, 2008

Aguarela

fOTO: F. Monteiro in http://olhares.aeiou.pt/utilizadores/detalhes.php?id=22985


Campos de Aveiro.
Manchas verdes de arroz,
E a vela dum barco moliceiro
Que um pirata ali pôs.

A servir de moldura,
O velho mar cansado;
E um céu alto a descer e a ter fundura
Na quilha reluzente de um arado.

Miguel Torga

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